Vai usar IA? Novo fascículo do CERT.br dá dicas de como tirar proveito da tecnologia de forma segura e responsável


03 SET 2026



Com acesso gratuito, publicação aborda limitações técnicas de LLMs, privacidade, riscos e a importância do controle humano na utilização das ferramentas de IA

São Paulo, 03 de setembro de 2026 – Quem nunca recorreu à inteligência artificial para dar aquela força no trabalho, traduzir um texto, criar uma imagem ou resolver uma dúvida rápida? O uso da IA já se tornou parte da rotina de muitas pessoas. O que nem todo mundo sabe é que não dá para confiar de olhos fechados em tudo o que essas ferramentas entregam, já que os resultados podem conter erros, colocar dados e a privacidade em risco ou até virar instrumento para golpes. Para orientar a população sobre como tirar proveito dessa tecnologia de forma segura e consciente, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apresenta o fascículo "Inteligência Artificial", novo integrante da Cartilha de Segurança para Internet. A publicação reforça uma mensagem central: "A IA é assistente. O responsável é você".

O material explica que não existe uma única inteligência artificial capaz de realizar qualquer atividade, mas, sim, diferentes ferramentas voltadas a finalidades específicas. Grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês), usados em chatbots, não necessariamente identificam fatos ou a resposta correta: funcionam por meio de algoritmos matemáticos que calculam a resposta mais provável, de acordo com seus dados de treinamento e com o contexto do prompt.

Por isso, os resultados podem trazer informações incorretas, desatualizadas ou inventadas, fenômeno conhecido como alucinação. O CERT.br recomenda tratar os conteúdos gerados como rascunhos, checar fatos, confirmar se as fontes citadas realmente existem e abordam o assunto e buscar referências independentes antes de tomar decisões.

"Por mais avançada que a tecnologia pareça, a inteligência artificial é um software que usa cálculo probabilístico e não possui discernimento ou senso crítico. O ser humano precisa estar no comando em etapas decisivas: estabelecendo limites de acesso aos agentes, realizando aprovação prévia antes de ações irreversíveis e revisando o conteúdo gerado. A ferramenta apoia o trabalho, mas a análise final, a validação das informações e a responsabilidade pelo resultado permanecem inteiramente com o usuário", salienta Cristine Hoepers, gerente do CERT.br.

Cuidados com prompts e alucinações

Para reduzir erros e obter respostas mais precisas, a publicação orienta o usuário a elaborar prompts claros e detalhados, indicando a tarefa, o contexto, o público-alvo e o tom de linguagem desejado.

Quando o tema for muito específico, o CERT.br recomenda fornecer uma fonte especializada diretamente no prompt e restringir a resposta da ferramenta estritamente a esse conteúdo.

Outra orientação prática é dar instruções prévias para que a IA informe explicitamente quando não tiver certeza ou quando faltarem informações, em vez de tentar inventar uma resposta.

Privacidade e uso de IA no ambiente de trabalho

O fascículo dedica atenção especial à proteção de dados pessoais e corporativos. Informações inseridas em chatbots públicos, geralmente são enviadas aos servidores da empresa responsável pela ferramenta e podem ser usadas para treinar o modelo. A orientação é assumir que tudo o que é colocado em um prompt pode se tornar de uso comum. Senhas, números de documentos como CPF, dados bancários, informações de clientes, códigos-fonte e documentos internos não devem ser inseridos nessas ferramentas.

Para o ambiente de trabalho, a recomendação é consultar as regras da empresa sobre o uso de IA, verificar quais aplicações são permitidas e não utilizar contas pessoais para realizar tarefas profissionais ou processar dados da empresa.

A publicação orienta, ainda, a ajustar as configurações de privacidade nas ferramentas, desativar o uso de interações para treinamento do modelo, desligar o histórico de atividades e utilizar conversas temporárias, quando disponíveis. Antes de compartilhar arquivos gerados por IA, também é necessário conferir se não há exposição inadvertida de dados sensíveis ou trechos do prompt original em comentários ou metadados.

Agentes de IA e "prompt injection": o humano no comando

O fascículo aborda o avanço dos agentes de IA, sistemas com capacidade de acessar aplicações e dados e de executar ações de forma autônoma. Nesses casos, o CERT.br enfatiza que o humano deve permanecer no comando, limitando as permissões do agente apenas ao estritamente necessário para a tarefa.

A orientação é configurar os sistemas para exigir aprovação humana antes de efetivar pagamentos, enviar mensagens, publicar conteúdos ou realizar ações irreversíveis, como a exclusão de dados.

O cuidado é indispensável porque agentes podem ser manipulados por instruções maliciosas escondidas em sites, arquivos ou e-mails (ataque conhecido como prompt injection) ou agir de forma inesperada. Se um agente precisa apenas ler um documento, por exemplo, não deve ter permissão para alterá-lo ou apagá-lo.

Uso de IA em fraudes e deepfakes

A publicação também alerta o cidadão para o uso de IA por criminosos na criação de deepfakes (áudios, imagens e vídeos falsos) para se passar por pessoas conhecidas, pedir dinheiro ou espalhar desinformação. A tecnologia também tem sido usada para gerar comprovantes falsos de transferências e entregas.

Em situações suspeitas, a recomendação é confirmar as informações por canais oficiais, desconfiar de pedidos urgentes e verificar o efetivo crédito na conta bancária antes de considerar um pagamento concluído.

Direitos autorais, plágio e orientações sobre saúde

Para evitar o plágio de obras protegidas por direitos autorais, que compõem a base de treinamento das LLMs, o material orienta o usuário a reescrever os textos com suas próprias palavras, citar autores originais e indicar quando ferramentas de IA foram utilizadas.

Por fim, o material alerta que chatbots de uso geral não devem ser utilizados para autodiagnóstico, automedicação ou em substituição a profissionais de saúde e terapeutas. Essas ferramentas não possuem treinamento específico nem sigilo profissional e não compreendem o contexto médico ou emocional do usuário, podendo fornecer orientações incorretas ou prejudiciais.

O fascículo "Inteligência Artificial" integra a Cartilha de Segurança para Internet e está disponível gratuitamente em: https://cartilha.cert.br/fasciculos/.

Cidadão na Rede

Além do novo fascículo, foram lançadas duas animações do projeto Cidadão na Rede com o tema inteligência artificial. Uma delas alerta sobre os riscos de compartilhar dados pessoais em prompts de chatbots de ferramentas de IA generativa. O vídeo orienta os usuários da tecnologia a substituir informações reais por termos genéricos e a proteger dados como CPF, endereço e senhas.

A outra fala sobre imagens, áudios e vídeos gerados por Inteligência Artificial para a aplicação de golpes e a disseminação de informações falsas. Nela, há dicas de como reconhecer os sinais de alerta, verificar conteúdos suspeitos e se proteger desses golpes.

Capitaneada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações do NIC.br (Ceptro.br|NIC.br), o Cidadão na Rede é uma iniciativa criada para difundir e incentivar boas práticas relacionadas à cidadania digital e ao uso da Internet. Com animações curtas, o projeto mostra, de maneira simples, como utilizar a rede de forma correta e responsável, abrangendo questões técnicas e comportamentais.

Confira os vídeos:
Cuidado ao compartilhar dados com chatbots de IA
Cuidado com golpes usando IA

Sobre o CERT.br
O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil é um Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança (CSIRT) de responsabilidade nacional de último recurso, mantido pelo NIC.br. Sua missão é aumentar os níveis de segurança e de capacidade de tratamento de incidentes das redes conectadas à Internet no País. Para atingir esse objetivo, além de atividades de tratamento a incidentes, o Centro também investe na conscientização sobre os problemas de segurança, no auxílio ao estabelecimento de novos CSIRTs no Brasil e no aumento da consciência situacional sobre ameaças na Internet, sempre respaldados por uma forte integração estabelecida com as comunidades nacional e internacional de CSIRTs. Mais informações em https://cert.br/.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.

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